sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

30 Dias Druídicos - 4° Três Reinos

           Tenho abaixo de mim águas que correm, da sabedoria ancestral bebo; do passado aprendo, nas  águas estão meus irmãos de nadadeiras e escamas. A fluidez me guia. Minhas emoções e sentimentos são vivos, carregam tempos e tempos.
          Tenho sob meus pés uma terra que me sustenta, o presente que vivo, meus irmãos de pêlo e garras a dividem comigo, a força me guia. Eu aprendo a agir, a pôr em prática o que preciso, é a vontade atuando.
         Tenho acima de mim um céu imenso, onde a suindara e meus outros irmãos de pena e bico vivem, a leveza me guia. Dos celestes vem a minha inspiração, meus pensamentos mais profundos, que me fazem imaginar e idealizar um futuro.
         Quando o tempo já não for mais o meu tempo, quando eu fizer a viagem além das nove ondas, desejo ser uma fonte de águas límpidas, da qual meus descendentes bebam e aprendam o que um dia, eu vivi e aprendi.

30 Dias Druídicos - 3 º Terra e Natureza

O homem, na perspectiva druídica, não é o senhor da Terra, e a natureza não está ali sujeita às suas vontades. Ele é parte da natureza e entende que qualquer falta de sintonia com ela pode lhe causar grandes prejuízos.
    Esse pensamento não é exclusividade do Druidismo, mas de todas as religiões de cunho animista.
     Os antigos celtas, nossos antepassados de tradição, os quais são as fontes do qual bebemos, tinham os bosques como sagrados, conseguiam enxergar a sabedoria das árvores, pois não só podiam nos dar alimentos e frescor nos dias de calor, como poderiam curar nossas doenças. E suas raízes estavam lá firmadas nos conhecimentos dos ancestrais, seu tronco a morada do terreno e suas folhas iluminadas pelos deuses celestes. Era o equilíbrio entre a pureza d'água e a fertilidade dos raios solares.
    Tudo era produzido em seu tempo, não se tomava demais da terra e nem dos animais. Tanto a colheita, como o abate dos animais eram ritualísticos, em honra a bondade da natureza.
      Mas, hoje, vivemos em uma sociedade moderna, predominada pela lógica do consumo, do desperdício e crescimento urbano. Onde somos totalmente alienados com a nossa comida, vestimenta e modo de morar. Como resistir dentro de uma sociedade assim? Como resgatar essa sacralidade e sintonia? Se as nossas vidas são parte da Grande Canção e como a vivemos é que vai construindo tudo, como podemos mudar a construção desses um pouco mais de 200 anos de história?
     As respostas para essas perguntas não são fáceis, já sofremos com o nosso desequilíbrio, seja pela seca, enchentes ou doenças, e uma hora, a Terra com sua sabedoria irá equilibrar tudo, mesmo que seja eliminando a espécie destrutiva. Não há uma solução milagrosa. E acredito que, ainda, não será essa geração a ocasionar a mudança total. Mas acredito que ela pode ser a plantadora da semente, pois há muitas formas de se viver sendo postas em prática, em que as pessoas são atuantes no seu alimentar e no morar, convivendo de uma maneira equilibrada com a natureza.
     Podemos resgatar a sacralidade e o respeito com a natureza, nos recusando a comprar alimentos fora de época, não aceitando pacificamente que ele seja repleto de venenos e modificações genéticas, não deixando que grandes construtoras nos ditem como morar, e que mineradoras e hidrelétricas tenham total aval para ocupar territórios como lhes convém. E o principal, precisamos sacralizar a natureza para as crianças, para as gerações futuras.    
      Pode ser utópico, mas acredito ser esse o papel do Druidismo Moderno. Resgatar essa conexão do Homem com a natureza, pois temos tudo aquilo que nos é sagrado aqui, e não na vida pós-morte ou na volta de algum messias.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

30 Dias Druídicos - 2° Cosmogenia

Cosmogenia

O que sabemos do princípio?
Seguimos nossa intuição,
E o que ouvimos:
No princípio era silêncio,
Do silêncio fez-se música,
Da música fez-se tudo.
Pedaço por pedaço,
Estrela por estrela,
Planetas,
Galáxias infindáveis.
Fez a minúscula Terra,
Suas águas, solo e céu,
Animais, homens, plantas,
Seres encantados,
Deuses.
E a canção continua,
Dela tudo surge,
Para ela tudo volta.
Oran Mor!
Todos somos parte da sinfonia.
Ela nós faz,
E nós a fazemos.
Somos ela,
Está em nós
E nós, nela.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

30 Dias Druídicos - 1° Por que Druidismo?

Começo respondendo essa pergunta com uma pequena divagação sobre a minha infância. Um ponto importante é que nos lembramos, desse período, apenas coisas que nos marcaram profundamente e construíram o que somos hoje. Alguns momentos, portanto, dessa minha fase de vida são primordiais para a resposta.
Vamos a ela: Quando menina, o vento era meu principal amigo, passava horas brincando de voar com ele, a chuva era de um imenso prazer, transformar-me em árvore era minha brincadeira favorita, assim como colecionar pedras era uma aventura. A primeira vez que subi em uma árvore (abacateiro), não me contentei ficar nos seus primeiros galhos, fui até o seu cume, e lá, a sensação que senti talvez não seja plenamente narrável; senti que o mundo era imenso, e a sabedoria e a felicidade da vida estavam ali.
Mas eu era de uma família cristã-católica, não muito praticante, e isso era apenas brincadeira de criança. Eu nasci em busca espiritual, para mim sempre houve algo a mais. Do Catolicismo passei para o Evangelismo na adolescência, caminho que silenciou tudo o que eu era e que acreditava de mágico no mundo. Ao abandonar este, a certeza era a de que toda religião era dominação, de que o homem só podia ser livre se não estivesse sujeito a nada que não seja palpável e terreno.
Esse pensamento não se firmou por muito tempo, a busca espiritual batia na minha porta. Eu não conhecia nada além das grandes religiões e nenhuma daquelas roupas me serviam. Foi quando conheci o paganismo, onde não se negava a vida terrena, pois não havia o homem repartido do Cristianismo. Comecei, como muitos, pela Wicca, no entanto ela não falava à minha alma, algo faltava, algo que fizesse meu coração pulsar, sendo eu sempre fui movida por ele.
E quando o Druidismo apareceu no meu caminho, me reencontrei com aquela criança em cima do abacateiro, entendendo o mundo sem entender, reencontrei com a amiga dos ventos, a menina-árvore e a colecionadora de pedras. A menina sabia o caminho, pois muitas vezes a alma de uma criança lembra o que nós, adultos, vamos esquecendo, impregnados pela cultura.

Por isso o Druidismo, pois ele faz parte da minha essência primordial. Porque com ele me reencontro e sinto o coração vivo e pulsante.



30 Dias Druídicos

Iniciarei esse blog com uma prática já posta há algum tempo na comunidade druídica, por acreditar que ela torna bem claro como concebemos a religiosidade e caminho espiritual que viemos traçando. Acredito que posso cometer alguns erros, pelo meu pouco tempo dentro no Druidismo (três anos), mas nada aqui pretende ser alguma espécie de verdade absoluta, sim uma compreensão do que tenho vivenciado por meios diversos.
Procurarei fazer os 30 dias, realmente, um seguido do outro, espero que consiga, e ele poderá aparecer em diferentes estruturas: relato, poesia, narração ou dissertação; deixarei a inspiração se estruturar da melhor maneira que ela desejar.
Seguirei a lista padrão:

1-    Por que Druidismo?
2-    Cosmologia
3-    Terra e Natureza
4-    Três Reinos
5-    Elementos
6-    Espaços Sagrados
7-    Prática Diária
8-    Divindades e Crença
9-    Ancestrais
10-  Espíritos da Natureza
11-  Ritual
12-  Roda do Ano
13-  Inspiração
14-  Meditação
15-  Histórias
16-  Poesia
17-  Ética
18-  Ciência e Filosofia
19- Mágia
20-  Oração
21- Vida Consciente
22-  Família/ Amigos
23-  Comunidade
24-  Trabalho
25-  Pisando Leve
26-  Distração
27-  Um Dia Druídico
28-  Caminho
29-  Futuro
30-  Conselhos